terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Acadêmicos desenvolvem plantio em pneus

A iniciativa retira pneus das ruas, diminui focos de dengue, evita queimadas e traz a certeza do consumo de alimentos sem a influência de agrotóxicos

Por Raquel Fernandes e Marcos Daniel Santi

Dourados, município localizado ao sul de Mato Grosso do Sul e segunda maior cidade do Estado. Uma de suas características é a forte presença de universitários oriundos de várias cidades brasileiras, que estudam nos vários campos universitários instalados aqui. Uma grande parcela destes jovens consegue abrigo nas famosas repúblicas de estudantes.

Dentre as várias repúblicas que podem ser encontradas em Dourados, cada uma se caracteriza por sua peculiaridade. Quase sempre são rotuladas pelos vizinhos como sinônimo de festa e bagunça. Algumas se inserem neste contexto, outras nadam contra a corrente destas classificações pejorativas e, a partir de iniciativas próprias, buscam amenizar diversos problemas do nosso cotidiano.

Uma dessas casas de estudantes é a República Derrama. Seus moradores desenvolveram uma forma simples e eficaz de diminuir a queima de pneus e produzir o próprio alimento sem a influência de agrotóxicos. É a Horta em Pneus.

A república é formada por cinco acadêmicos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Rodolfo Portela (Gestão Ambiental), Débora Cupertino (Biologia), Tiago (mestrando em Geografia), Carol (Biologia) e Vinícius Augusto (Administração de Empresas).

A ideia surgiu em março de 2009, a partir de um projeto já desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que consiste na retirada de pneus, que não podem ser reaproveitados, para aliar ao cultivo de plantas, verduras e hortaliças como tomate, batata, melancia, cebola, cenoura, batata, etc. Na horta, vários amigos de outras repúblicas ajudaram e fizeram um mutirão para colher pneus e participar do processo de produção.

Rodolfo Portela, membro da república, conta que já fazia plantio em casa, quando o ex-morador da Derrama, Pepi, acadêmico do mesmo curso, sugeriu a elaboração da horta em pneus. “Usamos o modelo já desenvolvido pela Embrapa e só adaptamos para nossa realidade”, explica.

Ele ressalta que era uma necessidade, pois “a gente paga R$ 0,75 centavos em um pé de alface sem saber se ele é orgânico. Aqui é você quem produz sua comida e sabe se tem agroquímico ou não. Sem contar a satisfação de se alimentar de algo que você plantou, que você cuidou”, conta. Segundo o estudante, o cultivo em quatro pneus grandes e quatro pequenos já é o bastante para três pessoas se alimentarem.

De acordo com Rodolfo, a Horta em Pneus é produtiva para o meio ambiente, uma vez que retira das ruas pneus não-utilizáveis, que demorariam cerca de 600 anos para se degradar, evita sua queima, diminui possíveis focos de dengue e muitas toxinas que vão para o ar.

Segundo o acadêmico, o Brasil produz hoje cerca de 40 milhões de pneus por ano, sendo que destes, 20 milhões são reutilizados e os outros 20 milhões ficam expostos de maneira incorreta.

Difusão da ideia

A iniciativa da Horta em Pneus já ganha adeptos em Dourados. O estudante de Gestão Ambiental e também estagiário do Instituto de Meio Ambiente de Dourados (IMAM) apresentou o projeto para o órgão onde estagia e recebeu o convite para ministrar uma oficina no EcoDourados 2009, ensinando a produzir a horta. “Nossa ideia é difundir, queremos socializar a ideia e não deixar isso só com a gente. Também iremos apresentar a horta no Encontro Nacional de Estudantes de Gestão Ambiental, aqui em Dourados”, pontua Rodolfo.


Incentivos ao Consumo de Hortaliças

De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS) é recomendável que 6 a 7 por cento da energia total dos alimentos consumidos pelos seres humanos venham de frutas e hortaliças.

Segundo uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2003, cerca de 3 por cento da energia consumida é fornecida por frutas e hortaliças. A OMS, por meio de campanhas, vem incentivando a promoção de uma alimentação saudável por todo o mundo.

Este ano, o Ministério de Desenvolvimento Agrário, em parceria com os Ministérios da Saúde e de Desenvolvimento Social, Embrapa e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizarão a 5ª edição do Congresso Pan-Americano de Frutas e Hortaliças, entre os dias 22 e 24 de setembro, em Brasília, Distrito Federal.

O Congresso é realizado anualmente nos países do continente americano e pela primeira vez será realizado no Brasil. O objetivo do encontro é discutir estratégias que incentivem o consumo e a produção sustentável de frutas e hortaliças em benefício da saúde da população.

As inscrições podem ser realizadas do dia 15 junho a 17 de julho por meio do site do Ministério da Saúde.

Como fazer uma Horta em Pneus?

Os acadêmicos da República Derrama passam a receita para você também poder fazer a sua horta em pneus.

Você irá precisar dos seguintes materiais durante o processo de montagem:

• 1 pneu velho
•1 tábua de madeira ou madeirite
• 1 faca bem afiada
• Adubo orgânico
• Sementes de hortaliças
• Palha Seca

Modo de Fazer:

Corte uma lateral do pneu com uma faca e retire-a. Em seguida, pegue uma metade do pneu e vire do avesso, formando uma bacia côncava. Rodolfo explica que virando o pneu você ganhará mais cinco dedos de raio.

Faça um fundo com a madeira. Preencha uma parte do interior do pneu com isopor para diminuir seu peso e depois coloque a terra. “A quantidade de terra irá depender do que você deseja plantar. Caso plante uma raiz, você deverá utilizar mais terra, já uma hortaliça demandará menos terra”, explica o acadêmico

Agora é hora de acrescentar o adubo. Se você estiver utilizando um Pneu de carro (aro13) deverá utilizar um quilo de adubo orgânico. Se o pneu for de uma camionete (aro 20), por exemplo, precisará de três quilos de adubo. Você deverá misturá-lo com um pouco da terra do pneu, cerca de cinco centímetros.

O ideal é deixar o adubo e a terra três dias sem plantar nada, para que a semente germine com mais facilidade. Passados os dias, o pneu está pronto para receber uma raiz ou uma semente para o cultivo. Cave meio centímetro de cova para alojar três sementes. O estudante alerta que se você enterrá-la em uma profundidade maior a planta não crescerá.

Depois de germinado deixe apenas uma semente. Em um período de cerca de vinte dias a muda ficará grande e você deverá cobrir o canteiro com palha seca, deixando a muda de fora. “Este processo, por não expor o solo, evita a perca de água por evaporação.”, completa o estudante.

Fotos: República Derrama

sábado, 14 de novembro de 2009

“Nós da periferia podemos sim ter perspectiva de vida”, diz jovem

Show do rapper MV Bill marcou o encerramento do III Seminário de Assuntos Estudantis


“O MV Bill é um exemplo. Ele veio para dizer que nós, jovens da periferia, podemos sim ter perspectiva de vida e ocupar esses espaços [a Universidade], para buscar o conhecimento. Nos sentimos honrados com a presença dele aqui, principalmente nós, os manos”, palavras de Evandro Santos, jovem douradense que esteve presente no show do rapper MV Bill na última quinta-feira (12) em Dourados.

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Vestindo uma camisa que estampava a face de Zumbi dos Palmares, herói da resistência negra, Evandro elogia a palestra ministrada pelo cantor na tarde de quinta-feira,12.

“MV Bill veio para mostrar que a única forma da gente ascender socialmente é o estudo, é o conhecimento, é buscar esse conhecimento. Ele veio também para mostrar e reforçar os empecilhos que o jovem de periferia negro tem no acesso a esse conhecimento, a estar e permanecer dentro da escola. Ele veio para mostrar os caminhos da Universidade”, relata Evandro Santos.

Mensagem de esperança
A dona de casa Elizabeth Marques, também estava no show e mesmo sem conhecer a obra do cantor, disse que veio à apresentação por ter visto o rapper nos jornais. “Vim conhecer mais a música dele, vi ele no jornal e em uns programas. Eu espero que ele traga uma boa mensagem para esses jovens, olha o tanto de jovem que tem aqui pra ver ele. Eu espero que ele traga uma mensagem de esperança”, diz ela.

Ouça:
Músicas de MV Bill

Seminário de Assuntos Estudantis
MV Bill, esteve na cidade para participar do III Seminário de Assuntos Estudantis, promovido pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), que tinha como tema "Universidade e Sociedade, Sociedade e Universidade: Espaços, Ações e Direções", onde também lançou seu livro “Falcão, mulheres do tráfico”. O rapper também é integrante da CUFA (Centra Única das Favelas) - veja mais no vídeo abaixo.

MV Bill fala sobre a CUFA



Foto: Leonel Jonas

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Proibido Proibir

Eu não preciso ser negro para ser contra o racismo, nem gay para ser contrário à homofobia, muito menos católico para acreditar em Deus. É neste caminho que eu acredito que deva ser debatida a legalização das drogas no país, sem preconceitos. Como sabiamente disse o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, não será um dia depois da legalização que cada brasileiro optará por ser usuário.

Quando falamos sobre isso, tocamos em uma das esferas de rotatividade do sistema, muito bem ilustrada pelo grupo paulistano IRA! na música ‘É assim que me querem’. “E me vendem essa droga/ E me proíbem essa droga/ Para os desavisados poderem pensar que o governo combate/ Invadindo a favela/ Empunhando fuzis/ Juntando dinheiro corrupto para a platina no nariz”, cantava o ex-IRA! Nasi, na música composta pelo guitarrista Edgar Scandurra.

A droga é uma realidade que já não é possível ocultar, como tentam fazer com a fome através de dados. A legalização seria um avanço, maior ainda que o advento da televisão digital, para o que se acredita ser um passo para no futuro poder assistir Ana Maria Braga em alta definição.

A proibição nunca será saída, como ficou explícito em 1919 nos Estados Unidos, quando uma emenda à Constituição proibiu o varejo, transporte, fabricação e importação ou exportação de bebidas alcoólicas. A medida serviu apenas para fomentar o contrabando e a fabricação clandestina de bebidas em locais inapropriados de produção.

Não podemos ser piegas a ponto de acreditar que drogas e bebidas são coisas distintas. Claro que cada um possui sua peculiaridade, mas a proibição de ambos gera os mesmos problemas, que neste sentido, deve ser combatido da mesma forma: a prevenção.

Enquanto o álcool mata bancado pelo código penal, como cantavam os cariocas do Planet Hemp, falo sobre isso com o intuito de que as drogas legalizadas sejam tratadas como questão de saúde pública. E que em contrapartida, combata um dos mercados mais lucrativos do Brasil, o tráfico, que se alimenta da proibição, assim como os contrabandistas de bebidas do século passado se alimentavam daquele veto.

Mas por que não legalizar? Legalizada, quem já é usuário teria a oportunidade de participar de grupos de apoio e acesso a políticas públicas. Além de ajudar a medicina, sobre todos os aspectos que a ilicitude veta, como por exemplo, a maconha e seu uso terapêutico. Legalizada, a produção da droga por profissionais capacitados, eliminaria também, ingredientes, hoje utilizados, que causam diversos danos à saúde.

Se for para proibir algo que está ao lado do ser humano desde seus primórdios, que se proíba também a hipocrisia.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Grupo supera preconceito e se firma entre uma das principais empresas de eventos do Vale do Ivinhema

O cenário era o ano de 1997, mais especificamente, no dia 29 de março, um sábado de Aleluia, quando jovens nova-andradinenses, resolveram dar um nome ao grupo de amigos, que todos finais de semana, se reunia para tomar uma cerveja, ouvir música e conversar sobre os mais variados assuntos. Surgia, então, o embrião do que seria hoje a empresa Os Movidos Promoções & Eventos LTDA.

Considerados neste início como "um bando baderneiros", poucas pessoas, incluindo eles, acreditariam que a ideia destes amigos, ligados ao som automotivo, poderia criar uma das principais empresas do ramo de eventos na região do Vale do Ivinhema.

“Os Movidos para mim é um filho. Eu não imaginava que ela se tornaria a empresa que é hoje. Quando criamos o nome nós fizemos camisetas, uma carreata, churrasco e colamos adesivo em carros para comemorar”, disse Magrelo Brambila, um dos diretores do grupo, ao relembrar o episódio ocorrido há 12 anos atrás.

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É em 2001 que Brambila propõe que as atividades do grupo sejam expandidas, para começar a mudar a imagem de "baderneiros". Os Movidos, passam então, a realizar eventos, que teriam parte de sua arrecadação revertida à entidades beneficentes ou famílias carentes do município.

Poucos sabem, mas a empresa, que já foi responsável por trazer grandes nomes da música brasileira para Nova Andradina, como Tihuana, Bruno e Marrone, O Surto, Edson e Hudson entre outros, teve como sua primeira ação, uma rodada de pizza, totalmente confeccionada pelos amigos, namoradas e esposas. Com o dinheiro arrecadado, eles compram uma cadeira de rodas, que foi doada para a Andefi (Associação Nova-Andradinese do Deficiente Físico).

O primeiro não!
“Com isso a gente começou a mudar a cara dos Movidos. Começamos a mostrar que não éramos só aquilo que as pessoas imaginavam. Um fato que me marcou muito foi quando resolvemos sair em busca de patrocínio e teve um amigo meu, que quando eu fui lá e expliquei a situação 'pra' ele, ele disse: não eu não vou ajudar, porque eu não vou ajudar vocês 'pra' vocês pegarem o dinheiro e tomar de cachaça, não”, lembra Magrelo.

Segundo ele, este "não", o fortaleceu para continuar. “Foi aí que eu pensei: vou mostrar 'pra' esse cara que não é isso que ele 'tá' achando. Isso foi uma injeção de ânimo que eu tive para mostrar 'pra' sociedade que Os Movidos não estava chegando com esse intuito de só fazer bagunça”, explica.

A Associação de Amigos do Mato Grosso do Sul – Os Movidos
A ideia era promover eventos que oportunizassem entretenimento para a população. É quando em 2002, realizam o I Baile de Aleluia, com a banda MDO. Parte da verba para a realização do evento, foi extraída de outras rodadas de pizzas. Mais de 1,2 mil pessoas participaram da festa. No mesmo ano, eles organizam outro baile, desta vez com o grupo Herança.

Contando apenas com o nome e a palavra para organizar as festas e firmar compromisso com outras empresas, o grupo legaliza sua situação em 2003, quando em fevereiro, fundam a Associação de Amigos do Mato Grosso do Sul – Os Movidos.

Porém, a entidade tem fim em novembro do mesmo ano, após a realização de algumas festas sem sucesso e divergências dentro da Associação. Em 2004, Brambila, junto a Murilo e Eurico Fernando, também ex-sócios, se unem e criam a empresa Os Movidos Promoções & Eventos LTDA. No mesmo ano eles firmam uma parceria com o Sindicato Rural da cidade, para organizar a 23ª Exposição Agropecuária de Nova Andradina (Exponan), um dos eventos mais tradicionais da região.

Os Movidos Promoções & Eventos LTDA
A partir daí, o que se sucedeu, foi um aumento gradativo na agenda de eventos da nova empresa, que de 2004 até hoje, já realizou mais de 30 festas, inclusive em outras cidades do estado, como foi o caso da Festa do Peão em Batayporã e a Violada Bruta em Dourados e Naviraí. Outra novidade foi a participação na organização do
IV New Road Motor Cycle.

Em 2009, com sede própria, a empresa passou a fazer
representações de artistas como: Créu Moreschi e Julio César, Henrique e Ruan, Anderson Palópoli, João Marcio e Fabiano, e da dupla nova-andradinense Kleber e Fernandes (veja no vídeo abaixo).



“Nós, seres humanos, somos aquilo que a sociedade quer que nós sejamos, se você é um bom profissional, em qualquer área, desde um gari até um promotor, empresário, jornalista ou pintor, se você é um bom profissional, a sociedade vai te afunilando para o topo. Uma coisa que acreditamos muito é em Deus, e que devemos sempre permanecer com humildade, porque cada tropeço é uma lição”, completa o ex-baderneiro e hoje, além de diretor do grupo Os Movidos Promoções & Eventos LTDA,
vereador Magrelo Brambila (PSDB).

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A menos de um ano das eleições, disputas pessoais marcam o discurso de pré-candidatos ao governo do Estado

A menos de um ano para o dia das eleições 2010 - em que serão eleitos presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais - em Mato Grosso do Sul, os dois principais pré-candidatos ao governado do Estado, tem mostrado, através de suas declarações, qual será o tom de suas respectivas campanhas no ano que vem.

De um lado, o ex-governador Zeca do PT, que tenta voltar para o cargo que ocupou por oito anos. Do outro, o atual governador, André Puccinelli (PMDB), que busca à reeleição.

Em 2006, quando André foi eleito governador, ele havia ressaltado a necessidade de se debater programas de governo e “não perder tempo com fuxico de qualquer espécie”.

Porém, o chefe do executivo de MS, já protagonizou por diversas vezes declarações ofensivas contra José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, como quando comparou seu adversário com uma “fruta podre” e foi prontamente chamado de “desequilibrado e autoritário”, pelo petista.

“Estão querendo comprar uma Ferrari pelo preço de um calhambeque”, “ladrão”, “ele tem que fazer igual tatu, se entocar e fugir para a Justiça não o alcançar”, “Ele não gosta de ouvir a verdade. Eu apenas falo a verdade, que ele tem que se explicar com o Ministério Público, com a Justiça. Mas a verdade o incomoda”. Essas são algumas das declarações de André Puccinelli, chamado pela revista Veja de ‘O Rei da Pornopolítica’, sobre Zeca.

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Além das ofensas pessoais, o debate sobre uma possível aliança estadual entre PT e PMDB, também gera polêmica. Recentemente, Puccinelli ameaçou dizendo que, caso não ocorra à união de forças entre os partidos, a pré-candidata do PT à presidência da república, Dilma Rousseff, ficaria ameaçada, pois ela não teria palanque em MS.

"Eu estou tal qual um noivo, com um cravo branco na lapela, o branco simbolizando a paz, no altar esperando a noiva. Se me rejeitarem, o que posso fazer? Aí eu não sei se apoio o Ciro, se apoio o Serra, se apoio o Aécio, se apoio a Marina”, disse André ao jornal Folha de S. Paulo.

Já Zeca, rebateu por diversas vezes as falas do peemedebista. “[André Puccinelli] dá sinais de que está cada vez mais desesperado porque sabe que minha candidatura não tem volta. É irreversível”, “Quando me ataca demonstra todo seu despreparo, seu autoritarismo de quem não é capaz de conviver com o contraditório”, “A máquina não me assusta, eles [os eleitores] vão pegar o dinheiro do André e votar em mim. Esse é o voto do chifre”, disse Zeca.

No final de setembro, o petista entrou com uma ação na Justiça Eleitoral, para que sejam proibidas propagandas do governo estadual, pois, na observação do ex-governador, elas tem servido como ferramenta para promoção de Puccinelli, visando sua reeleição. “André vem realizando, as expensas do Poder Público, propagandas travestidas de publicidade e informe institucional para promover sua reeleição”, escreveu Zeca no pedido de ação.

Para a estudante, Thaís Rosenbaum, 17, que em 2010 votará pela primeira vez para governador, com a aproximação do pleito, os pré-candidatos deviam apresentar melhor seus programas para serem debatidos. “Eles deveriam se preocupar mais em promover e defender suas idéias e serviços do que atacar uns aos outros”, pontua.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

No Legislativo estadual, 21 deputados tem a maioria de seus projetos irrelevantes

Youssef Domingos (PMDB) contestou os dados e disse que ong não possui credibilidade


Ações do Legislativo não apresentam impacto na população.
Fotos: Assembleia Legislativa

A organização não-governamental (Ong) Transparência Brasil, atualizou no último dia 23 de setembro, os dados que classificam a atuação parlamentar dos políticos brasileiros, com impacto e com pouca ou nenhuma importância.

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o número de proposições irrelevantes, antes da atualização, era de 2.209. O valor subiu para 2.665. Já as indicações dos 24 deputados estaduais, que de acordo com a ong, causariam alguma mudança no cotidiano da população – independentemente de serem boas ou ruins – foram de 444 para 666.

Segundo o site, "as categorias com baixo impacto são: Homenagens a pessoas e instituições; Batismos de logradouros, salas etc.; Simbologia; Cidades-símbolo, Cidades-irmãs; Pedidos de convocação de sessões solenes e especiais; e Datas comemorativas".

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O líder do governo na Casa, Youssef Domingos (Foto), é o primeiro do ranking de proposituras com pouca ou nenhuma relevância. Ele é autor de 440 projetos classificados neste grupo. Já suas ações com impacto, somam apenas 16, em quase três anos de mandato.

O peemedebista
contestou os dados ao site de notícias Campo Grande News, e afirmou que a organização não possuí credibilidade. “Nem a Assembleia inteira mandou tudo isso [...] [A ong] não tem credibilidade, me admira um site como o Campo Grande News usar essa fonte”, disparou o parlamentar sobre o portal Transparência Brasil, uma das principais fontes de informação dos maiores jornais brasileiros, como A Folha de S. Paulo e o Estadão, que só em setembro, utilizou os números da ong em três oportunidades.

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Na última amostragem, o deputado Antônio Braga (PDT), não havia indicado nenhuma ação de importância. Segundo os dados atualizados, suas proposições relevantes para a população, saíram de zero para quatro, enquanto suas matérias de pouca ou nenhuma ação, permaneceram com o mesmo número, nove.

Deputados com mais indicações irrelevantes

Entre os 24 deputados, 21 somam mais de 50% com ações irrelevantes. Veja quem são logo abaixo. Caso queira ver direto no site da Transparência Brasil clique aqui.

1° Youssef Domingos (PMDB) – 96,5 %

2º Dione Hashioka (PSDB) – 92,6% [Foto]

3º Marquinhos Trad (PMDB) – 87,9%

4º Diogo Tita (PMDB) – 87,1% (Este assumiu em 2008 e em menos de um ano propôs 131 projetos – 121 deles sem importância)

5º Amarildo Cruz (PT) – 86,7%

6º Junior Mochi (PMDB) – 85,2%

7º Coronel Ivan (PDT) – 82,1%

8º Reinaldo Azambuja (PSDB) – 78.6%

9º Professor Rinaldo (PSDB) – 75,3%

10º Onevan de Matos (PSDB) - 75%

11º Londres Machado (PR) – 75%

12º Paulo Duarte (PT) – 72,8%

13º Pedro Teruel (PT) – 72,3%

14º Marcio Fernandes (PTdoB) – 71,6%

15º Antônio Braga (PMDB) – 69,2

16º Akira Otsubo (PMDB) – 66,7%

17º Paulo Corrêa (PR) – 66,3%

18º Pedro Kemp (PT) – 65,6%

19º Maurício Picarelli (PMDB) – 64,8%

20º Celina Jallad (PMDB) – 64,7%

21º Jerson Domingos (PMDB) – 64,2%

Deputados com menos de 50% de ações irrelevantes

1º Arroyo (PR) – 50%

2º Zé Teixeira (DEM) – 42,9%

3º Ary Rigo (PSDB) – 40%

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Eu quero é rock!

Tribos de diferentes estilos e idades encontram em um bar o local ideal para ouvir o som criado por Elvis


Grupo All In, que tocou sábado na choperia. Veja mais fotos
nos slides ao final da matéria. Fotos: Marcos Santi

Nova Andradina, retrato do interior de Mato Grosso do Sul, uma cidade com cerca de 45 mil habitantes e com sua economia baseada na agropecuária. Durante os finais de semana, parte de seus jovens, distribuídos nas mais variadas tribos, buscam por lazer em locais onde se sentem mais à vontade de acordo com o estilo musical.

Festas de sertanejo universitário são maioria no município, porém, recentemente, uma choperia da cidade (veja o local no mapa abaixo) inovou e passou a colocar em sua programação, músicas incomuns para este público. Agora, todo sábado à tarde, é dia de rock. Foi lá que encontramos o vendedor de peças, Rodrigo Gomes da Silva, de 19 anos.


Visualizar Choperia Delícia de Nova Andradina em um mapa maior

Segundo o jovem, a falta de lugares que oferecem outros estilos musicais como o pop rock - seu preferido - faz com que ele e alguns amigos acabem saindo menos para se divertir. “Não tem onde ir, então a gente sai pouco. Eu gosto de pop rock, sair com os amigos para tomar uma cerveja e ouvir esse tipo de música. Tomara que esse lugar continue assim, para então corresponder minhas expectativas”, conta o vendedor.

E não são só os jovens que logo foram ao novo local em busca de outro tipo de música. Jurandir Ferreira, mais conhecido como Seu Didi, de 69 anos, e sua esposa, Odília Dias Ferreira, de 66 anos (foto), revelam ser amantes do estilo. “A gente gosta muito de música”, pontua Odília, que é complementada pelo marido quando ele diz: Falou de música eu 'to' dentro.

New Road Motorcycle, o único entre os grandes

Anualmente Nova Andradina é sede do único evento de Rock n' Roll da cidade, o New Road Motorcycle. De acordo com Wagner Périgo, mais conhecido como Wagão, integrante do Moto Clube Klã-destinos e um dos organizadores, a opção predominante de outros promotores de festas, pelo estilo sertanejo universitário, se deve meramente a uma visão mercadológica da busca pelo lucro. Mas garante, “tem público pra festas de rock, sim!”.

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Na choperia, ao som da banda nova-andradinense All In, Wagão disse ao Blog IntereSanti que procura sempre dar apoio à toda iniciativa que mostre a produção do Rock n' Roll local. Para isso, não faltam convites a amigos - até mesmo de outros municípios - para levar consigo o maior número possível pessoas. “Se você gosta de rock, tem que buscar o verdadeiro Rock n' Roll e dar apoio a todo evento desse estilo, nem que a cidade só tenha uma banda”, reforça.

Foi o que ocorreu neste sábado (19), mesmo embaixo de chuva, vários outros motociclistas foram prestigiar o som do grupo, que utilizando percussão, baixo, violões e guitarras, não decepcionou o público presente (
Veja no vídeo abaixo). “Rock sábado à tarde em Nova Andradina, tem que chover mesmo”, brincou Wagão.



Um grupo de colegas de Ivinhema – a 60 quilômetros de Nova Andradina – também estava no local. Segundo o ivinhemense Willson Sartori, o motivo do deslocamento de uma cidade até a outra, foi a busca pelo lazer proporcionado pelo novo ponto. Mesmo preferindo o sertanejo universitário, ele diz que sempre comparece na choperia por também gostar de rock, que para Sartori “tem pouco espaço”.

Rock! Gosto de poucos

Segundo Magrelo Brambila, promotor de eventos e um dos diretores da empresa Os Movidos Promoções & Eventos, “infelizmente no nosso Estado e na nossa região esse estilo é de gosto de poucos. Se tratando de negócio - a parte comercial – promover eventos do gênero, se torna inviável”, pois de acordo com ele a festa não se paga. “Eu tenho exemplos e vivi isso na carne em algumas festas que realizamos e tivemos prejuízos”, revela.

O promotor diz ainda - citando como exemplo um dos eventos produzidos pela sua empresa - que isso ocorre devido uma mudança no mercado, ocasionada pela crise financeira internacional. “Outro exemplo clássico é a última Sede Zero, que nos anos anteriores só tocava bandas de pop rock. Levantamos informações e o risco de promover a festa seria altíssimo, se tratando de um ano difícil em função da economia mundial. Nova Andradina não ficou de fora desse acontecimento, optamos por não arriscar. Ou seja, é melhor não fazer do que fechar no vermelho”, explica Magrelo.

Para ele a falta de eventos desse gênero não ocorre por força de vontade e sim por razões econômicas. “Realizar um evento não é difícil, difícil é honrar os compromissos hora assumidos e essa é a preocupação e compromisso que Os Movidos sempre teve e vai ter”, conclui.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Maioria das ações da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul não apresenta impacto na população

Os dados apresentados referem-se aos anos de 2007, 2008 e primeiro semestre de 2009. Do total de indicações deste período – 2.209 – apenas 444 estão classificadas na categoria “com impacto” pelo site Transparência Brasil


Deputado estadual Antônio Braga (PDT)
não apresentou nenhuma indicação
considerada de impacto
Foto: Assessoria


Segundo números apresentados pelo site da Ong Transparência Brasil, as proposituras apresentadas pelos deputados estaduais de Mato Grosso do Sul, com pouco ou nenhum impacto na comunidade, é 1.765 vezes maior do que as ações que representaram alguma mudança no cotidiano dos sul-matogrossenses.

De acordo com o site, as matérias apresentadas são divididas em várias categorias. “Tais categorias, por sua vez, são divididas em duas classes: com impacto e com pouco ou nenhum impacto. As categorias com baixo impacto são: Homenagens a pessoas e instituições; Batismos de logradouros, salas etc.; Simbologia; Cidades-símbolo, Cidades-irmãs; Pedidos de convocação de sessões solenes e especiais; e Datas comemorativas. Classificar um projeto como dotado de impacto não significa julgá-lo meritório, mas apenas que, se aprovado, teria consequências concretas sobre a comunidade – ainda que o teor do projeto seja possivelmente descabido”, explica o portal.

Deputado com menos indicações
O deputado com o menor índice de proposições é Londres Machado (PR), que realizou nestes dois anos e meio, apenas sete, sendo cinco delas consideradas com pouco ou nenhuma consequência, e duas com alguma relevância.

Entre os deputados, Antônio Braga (PDT), é o legislador com o menor índice de ações, que se aprovadas, representariam alguma mudança no dia-dia da população. De acordo com os dados, ele não apresentou nenhuma indicação com impacto desde o início desta legislatura, em 2007. Já suas ações com pouco ou nenhuma representatividade, somam, neste período, apenas nove.

Deputado com mais indicações
Com 44 indicações, Marcio Fernandes (PSDB), é o deputado com mais proposições que apresentaram mudanças na comunidade, independente de ser meritória ou descabida. Já suas matérias de baixa importância, somam 89. Ele é seguido por Arroyo (PR), com 36 ações consideradas relevantes e 43 sem nenhuma ação concreta.

Entre as matérias apresentadas pelo presidente da Casa, Jerson Domingos (PMDB), 20 delas foram classificadas como 'com impacto' sobre a comunidade, contra 35 ações com pouca ou nenhuma consequência.

Relevância X sem interesse
Já o deputado Youssif Domingos (PMDB), é o parlamentar com a maior disparidade entre ações relevantes X sem interesse. O peemedebista soma nove representações com impacto na população, em detrimento de 375 que não apresentam mudanças no cotidiano da sociedade.

Neste ranking, Youssif é seguido pelo deputado Amarildo Cruz (PT), responsável por 27 ações classificadas como 'com impacto' e 234 inseridas no grupo 'com pouco ou sem nenhum impacto'.

Equilíbrio
Apenas dois, dos 24 deputados estaduais, possuem um número de indicações que interferem no dia-dia da população, superior às indicações sem relevância. Ary Rigo (PDT) e Zé Teixeira (DEM). O pedetista possui um total de 10 apresentações de consequência e seis de pouca representação. Já o parlamentar democrata, possui 16 proposituras na primeira categoria e 14 na segunda.

Veja abaixo a lista com as representações dos demais deputados estaduais.


PSDB
Dione Hashioka – Apresentou 14 proposituras de impacto e 200 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Reinaldo Azambuja – Apresentou 21 proposituras de impacto e 114 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Prof. Rinaldo – Apresentou 38 proposituras de impacto e 126 com pouco ou nenhuma ação concreta.

PT
Pedro Kemp – Apresentou 23 proposituras de impacto e 44 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Pedro Teruel – Apresentou 16 proposituras de impacto e 50 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Paulo Duarte – Apresentou 18 proposituras de impacto e 55 com pouco ou nenhuma ação concreta.

PMDB
Maurício Picarelli – Apresentou 26 proposituras de impacto e 53 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Celina Jallad – Apresentou 22 proposituras de impacto e 38 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Diogo Tita – Apresentou nove proposituras de impacto e 71 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Marquinhos Trad – Apresentou 16 proposituras de impacto e 179 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Júnior Mochi – Apresentou 32 proposituras de impacto e 233 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Akira Otsubo – Apresentou 30 proposituras de impacto e 61 com pouco ou nenhuma ação concreta.

PDT
Coronel Ivan – Apresentou 28 proposituras de impacto e 122 com pouco ou nenhuma ação concreta.

Onevan de Matos – Apresentou três proposituras de impacto e nove com pouco ou nenhuma ação concreta.

PR
Paulo Corrêa – Apresentou 20 proposituras de impacto e 44 com pouco ou nenhuma ação concreta.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

“Quero que me respeitem enquanto cidadã”, diz presidente da AGLTD

“Não importa se eu sou negro, índio ou loiro dos olhos azuis. Quero que as pessoas me respeitem enquanto cidadã, não pela minha orientação sexual, porque ela é uma opção minha”. Essa foi uma das frases ditas por Cláudia Assunção, 44, presidente da AGLTD (Associação de Gays, Lésbicas e Transgêneros de Dourados), durante uma palestra realizada para acadêmicos do 6° semestre do curso de Comunicação Social/Jornalismo.

De acordo com ela, a Associação surgiu com a finalidade de combater os vários crimes que ocorriam na década de 1990, contra essa população, principalmente os travestis, que segundo a presidente, é a mais marginalizada. “As pessoas ainda associam muito os travestis com a prostituição. Ainda mais no interior, que fica mais difícil de conseguir trabalhar, porque o preconceito é maior. Ela não consegue emprego no mercado de trabalho e acaba recorrendo à prostituição. É complicado. A gente trabalha muito com isso de orientação”, explica.

Além do combate ao preconceito, a instituição realiza também trabalhos de conscientização e prevenção, visitando famílias e participando de fóruns e palestras.

Ao falar sobre um caso ocorrido em Dourados, Cláudia lembrou de um fato onde a organização entrou com uma ação contra cinco policiais – entre eles uma mulher, segundo ela lésbica - pela prática de tortura contra uma travesti, ainda adolescente. “Eles rasparam a cabeça da menina. Não da para aceitar a polícia vindo aqui e nos bater. A gente tem direitos que estão na constituição. Eles torturaram mesmo”, denunciou.

“Fui falar com o Coronel e ele me disse, 'quantos travestis não estão ai roubando e traficando' e eu respondi, 'e policiais extorquindo, roubando”, relatou a travesti, lembrando que logo depois foi convidada pelo mesmo Coronel para fazer uma palestra sobre homofobia, com novos policiais formandos.

Cláudia Assunção foi garota de programa por 20 anos e já passou por várias experiências. Ao relembrar um caso específico, em que saiu com mais três travestis para um programa, ela diz que esteve de frente para morte, depois que o homem que as contratou percebeu que havia sido roubado por uma delas.

Sem conseguir descobrir com quem estava o dinheiro, ele as deixou no meio da estrada. Foi quando as três fugiram, ficando somente ela. Cláudia lembra que o contratante a jogou no chão e deu ao menos cinco tiros contra sua cabeça, fugindo logo depois. “Achei que fosse morrer, mas ele errou os tiros. Só um [dos tiros] pegou meio de canto na cabeça”. Meses depois, ela descobriu com qual das três estava a quantia, e chamou a polícia para devolver ao homem que tentou mata-la, tudo que havia sido roubado.

Hoje presidente da AGLTD, Cláudia nunca se evolveu com drogas, porém, gostava de beber muito. “Se você não bebe você não consegue [realizar o programa]. Eles te exploram muito, você sofre muita violência. Se depois do programa eles não tem dinheiro, eles te jogam do carro e dizem 'sai daqui seu viado filho da puta'”.

“Tem meninas que fazem programas de dois em dois reais só para comprar uma paradinha e fumar depois. A prostituição não te leva a nada. Trabalhei 20 ano com isso e a única coisa que tenho dessa época é essa jóia nesse anel”, comenta. Ela diz que se tivesse a cabeça que tem hoje, não entraria para a prostituição, e é nesse sentido que trabalha através da Associação.

Para a presidente, esse é um trabalho satisfatório, porém algumas visitas ainda a chocam muito. “A gente não pode agir pela emoção”, ressalta.

Dentre os trabalhos realizados pela AGLTD, está o CRDH (Centro de Referência em Direitos Humanos e Combate à Homofobia), onde oferecem a vítimas de violência e discriminação, acompanhamento psicológico, jurídico e social.


O CRDH fica localizado na avenida Joaquim Texeira Alvez, n° 1314, no Centro e o telefone é o 67 3421-8466.


Foto: Valquíria Mazzi

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Na contramão estadual e nacional, Zeca do PT busca apoio do DEM para voltar ao governo

Nesta entrevista ao blog, pregando o bom senso, Zeca falou sobre o processo de demarcação do território indígena na região sul do Estado, eleições 2010 e teceu elogios ao partido do vice-governador Murilo Zauith, o qual classificou como sendo "um partido de pessoas de bem".

O ex-governador de Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos (1999-2002 e 2003-2006), José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, esteve na noite desta quinta-feira em Nova Andradina, onde se reuniu com a militância petista, vereadores, base aliada e imprensa do município.

Em entrevista ao
Blog, Zeca, pré-candidato petista ao governo estadual, falou sobre alguns temas que tem pautado os veículos de comunicação do Estado no últimos meses, como: demarcação das terras indígenas na região sul e a possível aliança com DEM, partido do atual vice-governador Murilo Zauith, para 2010.

“Eu acho que tem que tratar isso [demarcação do território indígena] com muita cautela. Devemos caminhar para se estabelecer o bom senso, que é o mais importante. Temos que ouvir todos os lados. O Lula é muito sensível quanto isso”, disse o petista.

Logo em seguida, ele ditou os passos que devem ser tomados. “Primeiro, o Lula 'tá' propondo que seja feito um levantamento real das terras indígenas do Mato Grosso do Sul. Segundo, levantar qual a necessidade real disso, considerando a terra versus a população indígena e, a partir daí, em um terceiro momento, ver a necessidade de onde deve ocorrer a demarcação”, ponderou.

Quanto a recente ação do governo André Puccinelli, de liberar R$ 480 mil para que Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), contrate uma assessoria jurídica, afim de contestar a Fundação Nacional do Índio (Funai), em relação as demarcações, Zeca acredita ter sido essa, uma ação com intuito de amenizar a "rejeição" do peemedebista no Estado, classificando-a como terrorista. “Eu acho que o André usou isso no sentido de diminuir um pouco a sua rejeição. Não é nada disso. Isso é terrorismo. Temos que sentar usando o bom senso, com a Funai e o Governo Lula, e só aí as coisas vão caminhar naturalmente e, graças a Deus, sem precisar gastar o dinheiro do Estado”.

PT e DEM

Na contramão nacional, em que o Democratas faz ferrenha oposição ao governo petista e, na estadual, onde o Bloco Democrático Reformista (BDR), composto pelo PSDB, PPS e DEM, já se declarou publicamente ser contrário ao PT, o ex-governador disse estar animado. Segundo ele, tudo caminha naturalmente, para que o vice-governador de Mato Grosso do Sul, Murilo Zauith (DEM), integre sua chapa ano que vem, pleitando uma vaga no Senado Federal junto com o senador Delcídio do Amaral (PT), que buscará a reeleição. “Está bem encaminhada [as articulações para que ocorra a aliança]. Eu tenho conversado com o Murilo e fizemos um convite para ele ser senador na nossa chapa”, afirmou ele.

Questionado se seria um suicídio político a aliança com o partido democrata, José Orcírio, lembrou de uma eleição fruto da mesma união de forças. “A
Kátia Abreu (DEM), que é senadora lá por Tocantins, foi eleita em uma coligação com o PT. Não tem problema, isso já aconteceu em outros estados. Cada Estado tem uma realidade distinta. A base do Democratas, hoje, é muito próxima da gente, até por que não tem espaço nenhum no governo do André. Eu acho, que suicídio, aqui, é essa união com o PMDB. O DEM é um partido de pessoas de bem que querem ajudar e são bem vindos se quiserem vir pro nosso lado”, lembrou Zeca, reafirmando a incompatibilidade entre uma aliança com o partido de Puccinelli.

O pré-candidato petista, ao final da entrevista, reforçou o que, para ele, seria uma chapa competitiva. De acordo com Zeca, ela contaria o deputado federal
Dagoberto Nogueira (PDT) como vice, junto com Delcídio e Murilo para senadores.


Foto 1 e 2: Anaurelino Ramos